A Culpa é da Mãe (2025)

Você já parou para se perguntar se a culpa é realmente da mãe? Se a frase “a culpa é da mãe” é mesmo a suma realidade de alguma afirmação? “A Culpa é da mãe” é um curta-metragem que traz relatos potentes de mães que enfrentam desafios que começam desde o momento que descobrem estar esperando um filho e depois disso é criado um elo infinito onde a sociedade machista, incutida por uma culpa indelével, traz todo o peso de ser mãe transformado em “fardo”, permeado às vezes por dores e solidão, onde a mãe é cobrada o tempo inteiro por todas as consequências da maternidade.

 

O filme é dirigido por Luciana Oliveira (“O Corpo é meu”, 2014; “Espelho”, 2021), Mestra em Cinema e Narrativas Sociais e doutoranda em Sociologia e por Manoela Veloso Passos, graduada em Audiovisual, que apresentou a dissertação “Cinema de mulheres em Sergipe: um mapeamento de filmes e trajetórias de cineastas (1974 – 2023)”.

 

“A culpa é da mãe” é um convite a uma queda vertiginosa que, trazida no começo por uma cachoeira de água parca e fresca, que ao passar dos quadros vai aumentando a sua intensidade e as suas funduras. A cada depoimento, trazidos por sete mães diferentes, pode-se ter a certeza de uma sociedade crudelíssima e misógina que impõe, segrega e obriga a mulher a ter a experiência da maternidade. E mesmo assim, depois de realizado o “sonho” maternal, não lhe é dado jamais qualquer subsídio ou garantia de uma ajuda ou segurança qualquer na sua criação.

 

Todavia, são depoimentos poderosos que vão cosendo diálogos de resistência, luta e muita força. Depoimentos ditos de uma forma crua, direta e simples. Sem rodeio algum. Sem romantizar as dificuldades de uma maternidade que muitas das vezes é exposta como se fosse um sonho, romântico e necessário para toda a mulher. 

 

Neste ínterim, as quedas d`água vão convergindo, densas e escuras. Trazendo sua fundura à tona. Mostrando todas as suas nuances, mesmo quando contadas por pessoas diferentes. Parecem ser vivências diferentes e ao mesmo tempo são as mesmas histórias. Mas como diz o provérbio africano: o rio sempre encontra um meio. A culpa da mãe não tem ponto, nenhuma sinalização. Nem poderia ser uma pergunta retórica ou jamais um paradoxo catártico reativo.

 

Matheus RodriguesCrítico Colaborador na Borboletas Filmes e Graduando em Letras