Brasília – O longa-metragem “A Pele Morta” foi anunciado nesta sexta-feira (13) como o destaque da abertura do 59º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, no dia 11 de setembro. A escolha para a noite de estreia é carregada de simbolismo, afeto e resiliência. O que começou como um projeto compartilhado entre o roteirista Daniel Tavares, o cineasta Geraldo da Rocha Moraes e sua esposa, a produtora Solange Moraes, transformou-se em uma grandiosa homenagem após a partida precoce do diretor.
O filme passou pela escola de Cuba, desenvolveu-se na Bahia, e realizou-se nas estradas do Brasil e Paraguai. A produção foi finalizada graças à união dos filhos de Geraldo, Denise Moraes e Bruno Fatumbi Torres. Eles aceitaram assumir o comando da obra para honrar o legado do pai e com o abraço dos amigos Fabiano Gullane e Eva Pereira. A distribuição ficou por conta da Borboletas Filmes.
Falado em português, espanhol e guarani, “A Pele Morta” é um drama de estrada pelas veias abertas do coração da América do Sul. Em luto pela morte do irmão, um jovem rapper guarani-kaiowá parte pelas estradas e fronteiras da América do Sul com um caminhoneiro em busca de fretes. No caminho, dão carona a uma jovem à procura da irmã, de quem não tem notícias há muito tempo. “A estreia do filme na abertura do Festival de Brasília encerra um ciclo de profunda ligação com o território. Brasília foi a cidade onde meu marido, Geraldo Moraes, viveu, produziu e ensinou por três décadas na UnB, depois de ter vivido no Rio de Janeiro e em Goiás”, lembra Solange Moraes.
“A Pele Morta deixa de ser apenas uma obra cinematográfica para se consolidar como um emocionante manifesto de amor, cinema e continuidade familiar.”
União familiar
Com o projeto posteriormente premiado no PRODECINE 5, a Araçá Filmes começou a montar a produção. Geraldo Moraes chegou a cogitar o renomado ator argentino Ricardo Darín para o papel de Justo, personagem que acabou magistralmente defendido por César Troncoso. No entanto, um trágico acidente de pesca no Centro-Oeste interrompeu a vida do diretor e paralisou as engrenagens do filme.

Em resposta à dor e como forma de tributo, Solange Moraes tomou a decisão de convidar os filhos de Geraldo para assumirem a liderança criativa. Denise Moraes (cineasta, professora e atual coordenadora do curso de Cinema da UnB — cadeira que foi de seu pai por 30 anos) e Bruno Fatumbi Torres (cineasta com vasta experiência nos sets do pai) aceitaram a missão e assumiram a direção do longa.
A colaboração familiar expandiu-se por todas as frentes da obra: Marta Moraes, jornalista, cuidou da comunicação durante as filmagens, enquanto Paulo e Marcio Moraes registraram os bastidores no
comando do making of.
Para Denise Moraes, é uma grande honra o filme iniciar o Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, patrimônio cultural imaterial da cidade e do país. “Abrir o festival com um filme protagonizado por um jovem rapper indígena permite discutir como o protagonismo indígena no audiovisual atua como instrumento de resistência decolonial”, avalia.
“Colocar essa história na sessão de abertura fortalece o lugar do cinema como espaço de
autorreflexão e instrumento político.”
Bruno lembra ainda que concluir ‘A Pele Morta’ foi uma travessia longa e muito particular. “Ver o filme chegar agora a um festival tão importante e de uma forma tão simbólica tem um significado especial. Uma obra que superou tantos desafios finalmente encontra sua própria luz e começa a pertencer ao público, como meu pai Geraldo sempre almejou que assim fosse.”
PRODUTORA: Araçá Filmes
A Araçá Filmes é uma produtora que está no mercado audiovisual há 25 anos. Idealizada pela produtora e cineasta Solange Souza Lima Moraes e o cineasta Geraldo Moraes (in memorian) é uma empresa cujo propósito é dialogar com a diversidade cultural brasileira e também em países de língua latina. São mais de 40 obras entres curtas, longas de produções próprias e em co-produções com empresas nacionais e internacionais.
DISTRIBUIDORA: Borboletas Filmes
Criada em 2018 pela cineasta e jornalista Camila de Moraes a Distribuidora e Produtora que desenvolve projetos artísticos em diversas linguagens, além de potencializar a distribuição de obras cinematográficas com foco em conteúdos originais para festivais, streaming, televisão e salas de cinema. Com expertise em conteúdos identitários, trabalha estrategicamente na formação de públicos divulgando novas narrativas brasileiras.